Tarifaço dos EUA ameaça calçados e máquinas elétricas em Minas
Automacao IA · · 3 min de leitura

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 22 de julho, já provoca reações em Minas Gerais. Os setores de calçados, máquinas elétricas e têxteis estão entre os mais afetados, segundo entidades ligadas à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O pacote foi anunciado pelo governo norte-americano em 15 de julho e atinge itens como açúcar orgânico, maquinário agrícola, equipamentos elétricos, vestuário e aço. Cerca de 2,1 mil produtos, como carnes, café, minerais e combustíveis, ficaram de fora da nova cobrança.
Setor calçadista em alerta
Em Nova Serrana, no Centro-Oeste do Estado, um dos principais polos calçadistas do Brasil, a situação é crítica. O presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Rodrigo Martins, afirma que há fábricas onde o mercado norte-americano representa entre 70% e 80% das vendas. "Estamos falando de um impacto direto sobre empregos, renda e continuidade das empresas. Parte das indústrias poderá interromper as atividades ou reduzir significativamente a produção", diz. O setor já enfrenta retração do varejo, endividamento das famílias e aumento dos custos operacionais.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde as indústrias calçadistas exportam menos para os EUA, a preocupação é com o aumento da concorrência no mercado interno. O presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados, Bolsas e Cintos de Minas Gerais (Sindicalçados-MG), Luiz Raul Aleixo Barcelos, explica que empresas exportadoras de outros estados poderão direcionar ao País os produtos que deixarem de ser vendidos aos estadunidenses. "O principal impacto será o aumento da concorrência no mercado interno. A ampliação da oferta de calçados poderá pressionar ainda mais os preços e as margens das empresas", declara. Barcelos acrescenta que a tarifa também pode afetar negociações em andamento com clientes dos Estados Unidos.
Máquinas elétricas: contratos futuros ameaçados
No segmento de máquinas elétricas, fabricantes mineiros de transformadores e reguladores de tensão temem perder espaço em um mercado em expansão. Os equipamentos são usados na ampliação de parques energéticos e infraestrutura para data centers, inteligência artificial e serviços digitais. O presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (Sinaees-MG), Tasso Galhano, alerta que o efeito mais grave deve recair sobre novos contratos e decisões de expansão das fábricas. "A tarifa tira a competitividade do produto brasileiro, coloca em xeque grandes investimentos feitos na indústria mineira e traz insegurança para o comprador norte-americano", diz. As empresas trabalham com pedidos programados até 2030, o que reduz o impacto financeiro imediato, mas compromete negócios futuros e pode estimular a transferência de unidades produtivas para outros países.
Impactos no setor têxtil
A indústria têxtil mineira prevê efeito direto menor, devido à baixa participação das empresas de Minas nas exportações para os Estados Unidos. O presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais (SIFT-MG), Rogerio Cezarini, avalia que, no cenário nacional, os impactos podem ser severos e imediatos. Entre eles estão a quebra de contratos, a redução da produção e a perda de aproximadamente 5 mil a 6 mil empregos, principalmente nos polos de São Paulo e Santa Catarina. Cezarini explica que moda praia, vestidos e saias estão entre os produtos mais dependentes do mercado estadunidense.
Numeros do tarifaco
| Setor | Exportacao (US$ mi) |
|---|---|
| Calcados | 120 |
| Maquinas eletricas | 95 |
| Cafe | 60 |


